Rito Moderno é um Rito utilizado por maçons com grande difusão e prática no continente europeu, onde é conhecido por Rito Francês.
O nome deve-se à adoção do Ritual da “primeira” Grande Loja de Londres, dita dos [maçons] Modernos, e que foi traduzido para utilização das primeiras Lojas Simbólicas na França. Assim, o Rito dos “modernos” passa a ser traduzido para o francês e a denominar-se, por facilidade e abreviação, de Rito Francês ou Rito Moderno (sobretudo nos países anglo-saxônicos e na América Latina).
Mas houve uma “primeira” Grande Loja, é porque a maçonaria Inglesa assistiu, em 1751, o aparecimento de uma “segunda” Grande Loja. Esta Grande Loja, dita dos “Antigos Maçons” apresenta-se como congregando os Maçons fiéis aos “antigos costumes”. Entre outras coisas, critica a “primeira” Grande Loja, dita dos “Modernos”, por introduzir inovações / modificações aos Rituais para despistar profanos que eventualmente tenham lido o livro “Masonry Dissected”.Estas rivalidades e suas querelas, bem como os anátemas entre estas duas Grandes Lojas, fazem parte da história da maçonaria Inglesa até 1813, data a partir da qual as duas Grandes Lojas se fundem para criarem a atual Grande Loja Unida de Inglaterra.
OS ALTOS GRAUS
Durante os cerca de cinquenta anos (entre 1735 e 1785) em que a Maçonaria se expandiu na França, fundaram-se e desenvolveram-se inúmeras Lojas e Capítulos, estes últimos constituíam indiscriminadamente Altos Graus, muitas vezes estes Altos Graus só eram praticados numa cidade ou então apenas por um conjunto limitado de Lojas da mesma cidade.
Aquando do Convento de 1773, no qual a primeira Grande Loja da França, fundada em 1738, muda o seu nome para o atual Grande Oriente da França, instituindo-se a si mesma como uma federação de Lojas e de Ritos, entre outras medidas adotadas nos trabalhos históricos desse Convento põe-se um fim à inamovibilidade dos Veneráveis Mestres das Lojas (prática comum na época) instaurando-se o princípio da eleição para os diferentes cargos e instaura-se igualmente o direito de representatividade das Lojas, cujos representantes (chamados de Delegados ou Deputados), vêm a constituir o Convento (que era e continua a ser o órgão legislativo desde então) do Grande Oriente da França.
Consciente da necessidade de estabelecer a sua própria doutrina dos Altos Graus e para pôr fim à proliferação indiscriminada das centenas de Graus e de rituais então existentes, o Grande Oriente da França cria, em 1782, uma Câmara de Altos Graus, através duma circular publicada em 1784. Esta circular estabelece a reunificação de sete Soberanos Capítulos Rosa-Cruz, criando uma nova instituição denominada Grande Capítulo Geral de França, que tem como finalidade “ser a Assembleia Geral de todos os Soberanos Capítulos que existem ou que venham a existir regularmente em França” e que “não afiliará no seu seio nenhum Soberano Capitulo que não seja portador de constituições outorgadas pelo Grande Oriente de França”.
Este Grande Capítulo Geral, sob a orientação e dinamização de Roettiers de Montaleau, seu Grande Orador, vai efetuar a análise e o estudo de uma centena de graus que existiam na época e vai redigir um Ritual próprio, consoante a sua respectiva afinidade ritualística simbólica e filosófica. A este agrupamento de diferentes graus da mesma “família filosófica maçônica”, se dará o nome de Ordens, sendo que o Convento de 1786, reunindo com o Grande Capítulo Geral, confia a este, a administração dos Capítulos que trabalham num grau “superior” ao terceiro.
ORDENS DE SABEDORIA
Assim, o conjunto dos graus filosóficos deste rito compreende cinco Ordens de Sabedoria:
1ª Ordem: Eleito Secreto – 4º Grau;
2ª Ordem: Eleito Escocês – 5º Grau;
3ª Ordem: Cavaleiro da Espada ou Cavaleiro do Oriente – 6º;
4ª Ordem: Cavaleiro Rosa-Cruz – 7º Grau;
5ª Ordem: Cavaleiro Kadosh Filosófico ou Cavaleiro da Águia Branca e Preta – 8º Grau;
5ª Ordem: Cavaleiro da Sapiência ou Grande Inspetor – 9º Grau.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Depois de 1786, o rito teve um desenvolvimento intenso, espalhando-se por toda a França e pelas colônias francesas, pela Bélgica e todos os países que pertenciam à área de influencia continental francesa, incluindo Portugal e Espanha, que por sua vez exportam-no para países como o Brasil.
REFORMA DOUTRINÁRIA
Em 1877 houve a grande reforma doutrinária que suprimiu a obrigatoriedade da crença em Deus e da imortalidade da alma, não como uma afirmação do ateísmo, mas por respeito à liberdade religiosa e de consciência, já que as concepções religiosas de uma pessoa devem ser de foro íntimo. O Grande Oriente da França, que acolheu a reforma, queria demonstrar com isso o máximo de escrúpulos para com os seus filiados, rejeitando toda e qualquer afirmação dogmática. Essa atitude provocou uma rápida reação da Grande Loja Unida da Inglaterra, que rompeu com o Grande Oriente da França.
No Brasil, contudo, os iniciados nesse rito necessitam, sim, crer em um ente criador, tendo em vista as relações de reconhecimento do Grande Oriente do Brasil com a Grande Loja Unida da Inglaterra.